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terça-feira, 11 de setembro de 2012

A alegria é o sinal mais infalível da presença de Deus





Esta frase é de um dos maiores teólogos do séc. XX, o Pe. Pierre Teillard de Chardin. A alegria é o sinal mais infalível da presença de Deus.

Jesus disse assim aos seus amigos: Dei-vos a conhecer estas coisas PARA QUE a minha alegria esteja em vós e PARA QUE a vossa alegria seja plena! (Jo 15, 9-12 ) "Para que" indica finalidade, "para que" indica uma raz]ao de ser para o fato de Jesus nos ter dado a conhecer estas coisas. Uma das finalidade da Revelação é a vontade que Deus tem em partilhar conosco a Sua Alegria e em levar a nossa Alegria á plenitude.

E Jesus não diz estas coisas num momento de "relax" esticado numa das praias do lago da Galiléia... Este deseja da Alegria partilhada e plenificada está mesmo no centro da última conversa de Jesus com os seus antes da morte, já percebida no seu coração com tanta clareza o sofrimento... Este desejo de Alegria partilhada e plenificada está no centro daquela última conversa de mesa de Jesus com os seus amigos, faz parte das últimas palavras, que afetivamente se tornam para nós sempre as mais importantes, faz parte da herança que Jesus deixa, do testamento que ele faz àqueles e aquelas que o acompanhavam desde a Galiléia e estavam agora em Jerusalém com ele...

Acredito totalmente em Jesus quando ele diz que é razão de ser de tudo o que nos dá a conhecer partilhar connosco a sua Alegria e levar-nos à experiência da Alegria mais profunda e mais completa.

E também dou muito crédito a um Homem de Deus como o pe. Teilhard de Chardin... por isso, fio-me completamente da conclusão que ele, depois de uma vida toda para Jesus, tirou para nós: A Alegria é o sinal mais infalível da presença de Deus.
Na religião parece que se foi formando ao longo dos séculos um “complô” contra a Alegria. Basta ver como nós mudamos em ambiente religioso, como nos tornamos sombrios quando chega a hora de celebrar, como é desprovida de humor a nossa maneira de celebrar e como achamos que a leveza da postura e da linguagem retira seriedade às coisas sagradas... Este “complô” anti-alegria é profundamente contrário à Boa Notícia do Evangelho! Lembro-me do evangelho de Lucas, e da palavra Alegria tantas vezes repetida nas suas páginas... e lembro-me, claro, daquela carta de Paulo aos Efésios, escrita enquanto estava na prisão, amarrado com grilhetas a uma parede, convidando continuamente os seus amigos da comunidade que se alegrassem com ele: “Alegrai-vos comigo! Novamente vos digo, alegrai-vos!”

Esta Alegria não é superficial, não depende simplesmente das condições que se estão a viver mas da profundidade e esperança com que vivemos qualquer coisa, até às situações mais sofredores. Há uma Alegria que vem de dentro, que faz parte da arte de nos tornarmos pessoas da Esperança e da Liberdade! Ser da Esperança e ser da Liberdade gera em nós a nascente interior de uma Alegria capaz de confundir todas as lógicas e vencer todas as fatalidades. Quantas vezes a Alegria é uma desobediência...

Na despedida da sua primeira carta aos Tessalonicenses Paulo dá-lhes um triplo conselho: “Alegrai-vos sempre, orai sem cessar, em tudo dai graças!”

Alegrai-vos sempre não é o mesmo que “andai sempre alegres”, como se a Alegria fosse apenas um sentimento ou dependesse das circunstâncias. Alegrai-vos sempre aponta para uma decisão pessoal, uma opção pela Alegria, um trabalho interior em que se amassa a nossa Fé na Esperança e o nosso Amor à Liberdade.

Orai sem cessar, porque é da qualidade do interior que nascem todas as coisas verdadeiramente duradouras...

Em tudo dar graças significa alimentar a experiência de que na vida somos permanentemente agraciados, andamos imersos num mistério de graça e de bondade ao qual podemos corresponder com acções de graças, isto é, com a construção quotidiana de uma vida engraçada!

Porque a alegria é o sinal mais infalível da presença de Deus, livre-nos Deus nosso Senhor da proximidade de santos tristes, porque serão sempre tristes santos...


Rui Santiago cssr.




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